Valentim

08:40:00



Tentei enganar-me a mim mesma e pensei que não estaria aqui sentada a escrever-te hoje. Não é que eu ligue a datas, mas nesta eu não te queria escrever. Queria contrariar os dados que contribuem para as estatísticas que alegam que não te consigo esquecer e que sinto tanto como sentia dantes. Mas não consegui. O meu coração é demasiado pequeno para isto. Eu sinto a tua falta. Sinto a tua falta todos os dias e tenho medo que seja só eu. Talvez até seja, mas não é por isso que o medo diminui, muito pelo contrário. Há a diferença enorme de sentir falta de ter alguém de quem cuidar, de mimar e de surpreender todos os dias da forma mais carismática e louca que encontrar. Eu não sinto falta de alguém, sinto falta de ti. E isso aterroriza. Aterroriza porque vejo-me a sorrir quando me passa uma imagem tua na cabeça. Aterroriza porque quando falam de saudade eu só te consigo a ti como definição. Eu tenho tanto medo de ser feliz contigo que acabo por te amedrontar. Já passaram tantos anos e eu redescobri os traços que mudaram nas tuas expressões. O teu sorriso continua a ser a coisa mais imperfeita do mundo mas que me deixa a pensar "foda-se" e que foda-se tão bem dito. Palavra tão feia para descrever algo tão lindo. Tive tanto medo de gostar de ti que me esqueci como é perder-te. Eu hoje já só queria um abraço teu, espero que não tenhas ido de vez, espero que o dês. 

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