A sociedade espera

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Chega de esperarem tudo de mim. Tudo desta geração que entrou agora, ou já está na casa dos vinte. Parem de colocar prazos para casar, para namorar, para ter filhos, para arranjar trabalho, para deixar de viver. Parem. Eu nunca vou ter o mesmo tempo que outro alguém. Entendam. Cada qual anda ao seu passo. Cada qual anda ao seu ritmo. Não precisamos de andar todos ao mesmo compasso. A sociedade tem a mania de esperar tudo de nós. Eu não vou casar aos 23 nem ter filhos aos 25. Eu não vou acomodar-me aos 30 e viver na rotina o resto da vida. Eu não fui feita para ser rotulada. Não sou de prazos e muito menos de acomodações. Eu não faço intenções de estar casada para o ano. Eu nem sei se o quero fazer. Digam-me, vocês que apoiam tanto a ideia de casar: porquê? Qual é a grande diferença que um papel faz? É pela festa? É pelo vestido? Pela lua-de-mel? É que não sei. Para mim é como se tivessem que dar provas ao mundo que amam quem está ao vosso lado. Mas digam-me, quantas vezes um aeroporto não viu beijos mais sinceros que um casamento? Para quê casar pela lua-de-mel se posso ter todas aquelas que eu quiser todos os anos? Posso muito bem ter milhares de luas-de-mel, basta percorrer o mundo com a pessoa. Isso a mim é suficiente, para que é que eu tenho que casar? Ainda para mais no espaço de tempo que a sociedade espera que o façamos. Não esperem isso. Querida sociedade para de colocar “idade certa” para tudo. Porque não há uma idade certa, há sim a idade que nos sentimos bem e preparados para fazer o que quer que seja. Por isso a ti, querida sociedade¸ envio esta carta:

 Querida sociedade,

Não sei se após todas as minhas escolhas e as minhas formas de ver o mundo me consegues incluir no leque de “exemplos a seguir”, mas não faz. Se não o fizeres eu aceito. Era uma responsabilidade muito grande em ter que fazer sempre tudo tão certo porque sou o modelo de alguém. Responsabilidade a mais. E até acho que nos perdemos um pouco de nós mesmos assim. Creio que quando somos “exemplos a seguir” nos centramos tanto em sê-lo para toda a gente que agarramos um pouco a cada personalidade e nos esquecemos da nossa. Por isso não me incluas nesse leque. Por favor, nem nesse nem em nenhum! Não me metas rótulas quando sei que não há nenhum em especifico para pessoas como eu. Sim, pessoas como eu pois não acredito que sou a única que se sente “deslocado” por tanta expectativa tua.

Tenho 22 anos e não estou nem perto de onde esperavas que estivesse uma pessoa da minha idade, nem tenho as coisas tão arrumadas como pensavas que teria. A licenciatura essa pelo menos está cá, já te consigo agradar um pouco não já? Mas eu não vou para mestrado e muito menos para doutoramento. Podes tirar a mão da cara para esconder a tua frustração por te dizer isto. Não eu não quero ser doutora, quero ser eu e estar a fazer o que gosto. Ainda tenho um longo caminho para isso e não vai ser no prazo que estabeleceste, Habitua-te!

E essa ideia de casamento que tens para pessoas da minha idade? Não achas que está um pouco desatualizada? Não achas que é um pouco antiquada? Eu não acho que um papel me vá fazer mais feliz. Não é por ele que vou ser mais ou menos feliz. Não é por ele que vou amar mais ou menos. Aceita isso! Não posso dizer-te que nunca o farei porque não sei. E se a pessoa com quem eu estiver fizer muita questão? E se a minha avó quiser mesmo casar uma neta. Aí sim, eu caso! Caso porque pode não me fazer diferença mas a alguém que eu amo faz e isso importa. Isso pesa na minha decisão. Por mim, por enquanto estou longe de ter a ideia de casar e se casar, não vai ser nem daqui a 10 anos. Aguenta-te!

E essa história de ter filhos? Oh minha amiga, tira isso da ideia. Mais uma vez se a pessoa fizer muita questão tudo bem, de outra forma vou adiar isso ao máximo. Acho que, mesmo sem nos apercebemos os filhos acabam por nos condicionar um pouco. Deixem lá a ideia de “ah e tal fazes as mesmas coisas”, bullshit. Não, não fazemos. E eu ainda quero fazer muita coisa antes de abrandar a minha vida. Sim abrandar, porque eu quero viajar pelo mundo as vezes todas que conseguir e deixar a minha vida cair na monotonia não é, nem de perto nem de longe, opção. Eu quero adotar um pretinho, não me perguntes porquê, não te sei responder. Sempre quis. Filhos meus só a custo, mas se assim for que seja. Mentaliza-te!

Essa tua ideia de nos querer fazer acostumar a uma rotina das mesmas pessoas, dos mesmos caminhos, das mesmas tarefas? Isso é castigo? Ou isso é apenas inveja por todos fazerem o que queres mas nenhum te respeitar a sério? É que, por amor de deus, afasto-me de ti se for para cair na rotina! Prefiro assim. Não fui feita para ficar em casa. Convence-te!

Sou rapariga mas isso não me faz menos que um rapaz. Eu vou beber sempre que eu quiser e vou respeitar sempre que for respeitada. Querida, eu fugi pelos contornos de gostos que intitulaste de “femininos”. É que sou mulher e adoro futebol, não consigo lidar com novelas e sérias de amor irritam-me e não me despertam qualquer interesse. E visto bem isso é tudo o que um homem deve gostar e não uma mulher, de acordo contigo. Acostuma-te!

 Por isso minha querida, revê esses prazos e esses rótulos porque não sei até que ponto estão certos.


Um beijo enorme de uma daquelas que não se encaixa nos teus paleios

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