Para a próxima

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Ando na espera que a escrever me esqueça. Irónico é pensar que imortalizando palavras me façam esquecer. Talvez esteja a ser demasiado ingénua ou não queira de facto aceitar a realidade de que esquecer é mesmo impossível. Escrevo-te a ti com a esperança de te odiar mais ainda, ou odiá-lo a ele. Talvez o consiga. Pelo menos o espero. Escrevo-te a ti porque preciso que saibas como ele é. Preciso que o faças mesmo feliz. Preciso mesmo dessa certeza. E tenho um medo enorme que nunca o consigas conhecer desde os fundos. É que ele esconde tão bem. É que ele mente tão bem. E conta-se pelos dedos as pessoas a quem ele se permitiu ser ele mesmo. Ele diz que ainda é uma criança, que não sabe que rumo tomar e que precisa de errar. Só acho que ele anda a querer errar da maneira incorreta, mas quem sou eu. Sabes, tenho esperança de um dia pensar que preciso de escrever sobre ele e já não ter sobre o que falar. Já não sentir a necessidade e que este pensamento seja só um hábito. Neste momento, é mentira. Há dias que não escrevo nada e me remói cá dentro. Sempre foi mais fácil para nós expressarmos o que sentimos noutra língua, o inglês torna-se tão apetecível nestas circunstâncias. Logo eu, que sou menina de fugir dele sempre que posso. Sejamos sinceras não sou especialista em línguas. Mas sempre foi mais fácil dizer que o amo noutro idioma. Talvez esse tenha sido o meu erro. Mas o português é tão forte, magoa tanto, alegra tanto. E dizer que o amo em português é aceitar a derrota da guerra que infligi em mim do querer e não querer senti-lo. Dizê-lo em português é como se tivesse a certeza que perdi o controlo de mim. E odeio não ter o controlo sobre as coisas. Nada é tão bonito como um “love you” mas nada é mais sentido do que um “amo-te”. Às vezes não sei se quero que me conheças para me odiares mais ou se para não seres igual a mim. Para lhe permitires apaixonar-se todos os dias por ti e não pelo eu disfarçado que ele já tentou criar tantas vezes. Ele tem a necessidade de ser sempre a vitima, ser ele que sofre e ser sempre os outros a estarem errados e mal. Sempre foi mais fácil para ele depositar as culpas nos outros do que aceitar que é ele que esteve mal. Acho que é esse o clique que lhe falta. O clipe da consciência de que não pode continuar a fugir de responsabilidades. Que apesar de estar no quase-nada quase-algo, naquela fase em que todos estamos, nem somos crianças, nem somos adultos. Nem nos levam totalmente a sério, nem nos permitem brincar mais. Mesmo apesar disso acho que é necessário mesmo com medo admitir o que se é. Mas mais uma vez, quem sou eu. Discute com ele, por favor não me interpretes mal, discute só para o veres irritado. Só para te babares com os maxilares delineados e cerrados. Discute para ouvires a voz a engrossar, engraçado como o conheço desde o tempo que parecia uma rapariga a falar. Para acompanhares as ondas das sobrancelhas. Discute para veres o olhar apaixonado dele mesmo chateado, discute para ver o brilho dos olhos com o canto do lábio a formar um pseudo sorriso. Discute com ele e prometo que te vais apaixonar ainda mais. Discute com ele e desperta aquele pensamento de “foda-se quero discutir contigo a vida toda”. Discute com ele. Na primeira vez que nos vimos nós discutimos, eu virei costas e fui embora, apaixonei-me ainda mais nesse momento, apaixonei-me ainda mais quando olhei para trás e o vi a vir. Discuti com ele e apaixonei-me ainda mais. Como se acreditasses que fosse possível. Não sei o que pensas mas sinceramente não me interessa nem um pouco. Interessa-me se o magoares, se não o amares perdidamente e se não gostares de qualquer linha espinhosa da alma dele. Para ser sincera duvido que a conheças, eu conheço-o e tenho a certeza que ainda não atingiste esse ponto. Não leves a mal. Ele é o seu misterioso menos misterioso que conheço. Confuso e contraditório não? Ele é o homem da minha vida, está ciente disso por favor. Põe os pés na terra e diz-me, sinceramente: achas mesmo que não vamos acabar os dois juntos? A minha mãe odeia-o. A mãe dele odeia-me. Acho que estamos no caminho certo para alguém dizer que está contra quando o padre perguntar. O meu melhor amigo não o aceita, mesmo depois de me ouvir durante horas, noites, bebedeiras, madrugadas, chamadas falar dele, mesmo depois de me ver feliz, ele não o aceita. Diz que mereço melhor. Diz que alguém que me procura em tudo e todas não merece um terço de mim. Eu não consigo concordar. Seremos sempre nós contra o mundo. Nós e Manchester. Nós e a nossa cidade. Nós temos tempo, só não temos todo o tempo do mundo. 

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