Na terceira pessoa

13:06:00

Eu não me conheço, nem te conheço . Vamos fingir que me sentei num anfiteatro enorme para assistir a uma peça melodramática sobre dois jovens que se apaixonaram à cinco anos e ainda hoje não estão juntos. Quem é a pessoa normal que quer ver uma história destas. Mas bem, não desconversemos. Vi do inicio ao fim a história. A parte dela. A parte dele. A parte dos outros. A parte das outras. E fiquei sem perceber. Não há reciprocidade no momento certo. Há um medo enorme de arriscar e sair magoado mas não há problema de se estar a magoar só com o afastamento. Ambas as partes passaram anos a gostar e desgostar de outras pessoas. E na verdade continuaram apaixonadas uma pela outra. Ambas as partes, magoaram, deram para trás, disseram que acabou que não dava mais mas voltaram sempre para o caminho que começaram a construir juntas. Para quem está de fora é só tempo perdido e só contam o tempo que falta para cairem redondos nos braços um do outro. Esperemos que não seja no deleito da morte. Em que os cabelos brancos sobrevoem as rugas cravadas no rosto que escondem o olhar amargo de quem sempre esteve apaixonado pela mesma pessoa e gostou de tantas outras. Esperemos que arrisquem antes de não haver mais nada a fazer e não estejam à espera do momento certo porque ele nunca existe. É irónico, tanta gente a querer se amar e estes dois amam-se e não aproveitam.

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