Na pele da minha mãe

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Todos as mãe tomam as dores dos seus filhos como se fossem suas. Sentem tanto ou mais as quedas, os corações partidos, as dores de cabeça, as desilusões e até os erros. Sentem a dobrar, a triplicar e a quadruplicar pois é a forma delas de tentar que nós não tenhamos que sentir tanto. É como a mãe que compra presente de natal para o filho e diz que foi o pai que deu, quando ele nem sequer se lembrou do filho. É como a mãe que mente à diretora de turma que a filha está doente incapaz de sair da cama quando é só uma dor de cabeça ou uma má disposição. E depois é como a minha mãe que é como todas essas mães anteriores e sente o meu coração partido de todas as vezes que o tento reconstruir. Sente cada oportunidade mal dada que dou. Que é como uma fita cola já utilizada anteriormente e que não fixa. Sente a minha vontade de avançar e vê-me a seguir em frente para depois olhar ao espelho e voltar para trás ou pelo esperar que o passado chegue de novo até mim. Tenho que me pôr na pele da minha mãe. Logo eu que a odeio ver a chorar, magoada ou impotente e faço com que sinta um coração partido. Mais um. Para além do meu ela também já teve o dela e sabe bem como é a sensação. Odeio chorar porque a magoa. Odeio não conseguir transmitir que está tudo bem porque sei que ela se sente magoada. Odeio desabafar com ela pois sei que eu até posso esperar, ter esperança e perdoar mas ela é incapaz. E neste momento a minha cabeça ainda dá voltas e voltas à procura de respostas, à procura de opções, à procura de caminhos e acima de tudo a minha cabeça está cheia de esperança e isso é péssimo. É péssimo ter esperanças quando o coração está partido. Tenho medo de me colocar na pele da minha mãe. Tenho porque ela não consegue entender, não consegue gostar e neste momento nem consegue ouvir sequer falar do nome só pela forma que me fez sentir. Falo dos maus sentimentos, claro. Toda a mãe esquece o sorriso estúpido da filha, as cantorias pela casa, ou a felicidade extrema quando isso também já a fez chorar. Toda a mãe. A minha não é diferente. Não quero chorar mais, por ela pois chora mil vezes mais. Mas também não consigo sentir a tristeza toda que sente da situação pois não consigo deixar que o amor seja menor que a mágoa. Não é uma escolha. 












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