trocas

16:24:00

a vida é feita de trocadilhos. a vida é feita de um círculo. a vida é feita de uma troca gigante de palavras desalinhadas. palavras com segundas intenções. palavras ditas no âmbito de uma conversa que não tem o mesmo significado para as partes envolvidas no discurso. confesso que demorei a perceber isso. a interação cansava-me. a instabilidade das frases angustiava-me. a fraqueza dos discursos desmotivava-me.
confundi carência com saudade. e hoje sei que carrego comigo uma tremenda carência dele pois jamais poderia sentir saudade de algo que não me completou como pensei que sim. quando considerei que ele era o destinatário certo para todas as minhas dores, eu estava errada. errada por não me permitir ver além do aperto que sentia. errada por me fazer sofrer a mim mais do que ele me fez sofrer. eu estava errada. e não me custa admiti-lo. eu deixei-o ir para sempre, quando ele ainda crê que não foi embora de vez. mas já não me compete a mim ajudá-lo a entender. acho que nunca me competiu. eu apenas gostava de fazê-lo. porque cuidava da carência de um amor que afinal era apego. apego porque amor não era. amor só há um a vida toda. e talvez nem fiquemos com ele. mas amor não acaba. e se o vejo cada vez mais longe do órgão cardiovascular que carrego na minha caixa torácica, é porque não era amor. era apego. apego forte. apego bobo. apego indecente. apego ilusionista. apego sim. apego porque amor não se cansa, não se vai desvanecendo. e ele está cada vez mais longe. espero que desta vez tenha aprendido a distanciá-los. mas se se tratar apenas da distância que me faz pensar assim, rezem por mim. sofram comigo porque isso quer dizer que o amo. e pobre da minha alma que ama. se voltar tudo quando embater nele na rua, então agarrei no para sempre da frase dele. se ainda for igual chorem por mim porque estarei de novo num espaço temporal de insanidade, de ilusionismo e até de sofrimento. chorem por mim porque não fui capaz de ir embora. e se fiquei, não sou capaz de chorar. se estiver errada agora quando acho que estou certa, façam-me o funeral sem corpo porque a minha alma está perdida de vez. se estiver errada agora quando acho que estou certa, não me tentem recuperar porque há labirintos que não tem saída. se estiver errada agora quando acho que estou certa, é porque não saudade. porque saudade sei que não sinto. porque saudade é a mais poética palavra do dicionário português e jamais caberia num coração como o meu. se estiver errada agora quando acho que estou certa, é porque não era carência porque tenho envolta do meu corpo braços que me definem, tenho padronizados com os meus lábios outros, tenho nos meus devaneios companhia terrorista. estiver errada agora quando acho que estou certa, não me perdoem. porque espero que saibam que foi o meu "para sempre" no seu "até já".



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