definição de medo feminino

18:22:00

vais ter medo de mim. eu sei que vais. mas não me tentes salvar de mim mesma quando me conheceres. eu não preciso de ser salva. sou a mulher que não se vai enquadrar no estereótipo de mulher perfeita dos homens atuais. sou a mulher independente. a mulher que veste calças em dias quentes porque se esqueceu de depilar as pernas. a que prende o cabelo porque não me apetece pentear. a que rói as unhas. a que diz as coisas sem reticências. a mulher com a sua espontaneidade. a que é adepta do realismo e que perde os modos em algumas circunstâncias.
a mulher que vive a sua vida e não dá muita atenção ao que os outros vão pensar dela. a que diz tudo o que sente apenas com a diferença de que muitas das vezes o diz calada. sou a mulher que demora para responder às mensagens. mesmo que me aguente o dia inteiro para perceberes que não tive tempo e que não és tão importante assim. sou a mulher que não cede à primeira para ver se estás interessado o suficiente para tentares de novo. sou a mulher complicada que os rapazes odeiam. a mulher inteligente que não te deixa entrar de novo quando diz chega. aquela que não se preocupa se te desliga o telemóvel na cara e vai sair com as amigas porque quer. sou o tipo de mulher que todo o homem teme. a mulher que sabe sorrir quando quer chorar. a que despreza quando quer amar. a que ignora quando a vontade de ligar e pedir o amor do filho da mãe de volta. sou o tipo de mulher que se rege pela mente e não pelo coração. a mulher com sentimentos ocultos. com vulcões em erupção camuflados por enormes icebergues. sou a mulher que passa linda tanto de saltos como de ténis. tanto de saia como de fato treino. tanto maquilhada como desmazelada. e sabes porque gosto de ser esta mulher? porque gosto da independência. gosto do facto de não ser uma tarefa fácil. eu não sou uma tarefa fácil. sou um abismo de defeitos. confusa mas sou a mulher confiante nas suas escolhas. vais ter medo de mim. e eu não vou querer mudar. sou a ponta da linha. o extremo. sou a mulher que é tudo em demasia. a que desequilibra o padrão de submissão feminina pela imprevisibilidade das vontades. sou a mulher que incomoda. aquela que quer é que tu te fodas se começas com perguntas em demasia e não te esforças por perceber por ti mesmo. sou uma mulher apaixonada. não sei propriamente pelo quê. deve ser uma coisa muito boa porque gosto da sensação. sou a mulher mestre em fugas repentinas. sou a famosa crise humana. suponho que não saber combater-me causa medo. sou a mulher complexa demais. a líder. a que não perde tempo com projetos inacabados no laboratório, com as ideias loucas de Einstein, com textos de Shakespeare ou com as sinfonias de Mozart. sou o medo feminino de qualquer homem. sou a visão de uma criança inocente que não é, nada mais, nada menos que um campo de minas que, tenho a impressão, que nenhum exército sobreviveria. sou a mulher particular como conheço poucas. a missão impossível de muitos e a ressaca de outros. sou o problema do sexo masculino. a que agita qualquer estrutura. por isso não me importo que tenhas medo. mas eu não vou mudar. sou a mulher mais "Keep Out" de sempre. a impossibilidade de entender-me na hora exata é recorrente. sou a mulher que mais queda para desastres tem. a que se der errada, foda-se, tenta de novo. sou a mulher que não precisa de ti. mas não sou a mulher que descrevas quando te questionam como queres que ela seja. vais ter medo de mim. sou pouco feminina para a definição que, talvez, ainda tenhas. não fui feita para ti, eu só não sei como dizer-te isso. mas apesar disso estou certa que existe almas formidáveis nas ruas que percorro, mas não tive medo da tua, isso deve querer dizer alguma coisa.






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