em metades

14:26:00

não sei ao certo até que ponto o "quem está de fora percebe melhor as coisas", mas no fundo não quero pensar que o correto está para além do meu ponto de vista. sempre me considerei dona de mim mesma, que as situações em que me envolvia dependiam de mim e que o que pensava ser era como era. e com o andar de vida deparo-me com circunstâncias que me provam o contrário. tenho medo do que não posso controlar e de fugir das palavras que profiro a mim própria. às vezes penso que deveria te dizer mais vezes que amo-te e que te quero mais que qualquer coisa e para esta noite ficares aqui, mas os planos mudam. só as vontades é que ficam. sinto um turbilhão de sentimentos em relação a ti e não sei mais qual é o mais forte.
se a vontade de ficar longe é grande a vontade de te ter perto é segura. não sei se deixe andar até passar, se demonstro que aqui estás seguro. em palavras, em atos, em olhares ou até mesmo em silêncios. metade de mim sonha contigo a outra metade repugna a tua presença. eu não consigo deixar de te procurar em cada recanto, em esperar mais capítulos, em aguardar mais vontade. mas no momento que foges de mim, da minha imaginação, do meu radar, sinto-me tão livre, mas não tão feliz. não sei escolher o que é melhor, a liberdade que sinto por não depender mais de ninguém para além de mim ou a felicidade que sinto de te sentir por perto. há pessoas com quem só podes estar uma vez na vida, porque quando acaba tu já não és a mesma pessoa que começou. desculpa aparecer sempre sem avisar. desculpa pela metade que provoca e pela outra que maltrata. eu sei que prometemos um ao outro nunca mais fazer com que os nossos corpos se encontrassem e a nossa boca se desejasse, que desta vez seria definitivo. ehhh eu sei. eu já prometi tanta coisa que acabei por não cumprir. e tu também. não sou a única. cumprir promessas não é o nosso forte. metade de mim querer-te por isto outra metade por aquilo, mas ambas as partes te querem. queres que seja sincera naquilo que sei que vou cumprir? quero levar-te para a cama. só isso. fica combinado. prometo não ligar de manhã. promete-me então que não estás na minha cama quando acordar. não vai haver aquele ciúme. sai com as tuas amigas da mesma forma que saiu com os meus amigos e dá em cima de quem quiseres. por mim tudo bem. prometo. eu dou-te uma noite inesquecível, tu tornas-me mulher, eu faço-te sorrir e tu dás-me prazer. se ficar alguma coisa para experimentar, se for assim tão gostoso nós repetimos um dia destes. se for pouco repetimos sempre que a vontade apertar. sempre que por oportunidade calhar. se for quando nos virmos. se for quando bebermos. se for quando nos lembrarmos. quem sabe vire alguma coisa, como quem por fora faz figas para ainda dar certo. mas não nos preocupemos com isso. mas agora prometo-te não esperar nada disso. que qualquer contrato termine assim que amanhecer. porque apaixonar tá uma merda. mas quando o beijo não é sentido da mesma forma pelas duas pessoas nem vale a pena ser dado. se não tem o objetivo igual nem vale a pena ser procurado. não posso é prometer-te não te desiludir. tudo depende do que esperas de mim. pensei no inicio se seria desta que te mostraria o que escrevo. a forma como te retrato. a maneira como me exponho. para perceberes como te vejo, porque decerto te apaixonarias por ti se te visses da mesma forma que eu te vejo. mas eu não quero amor, não quero que te sintas obrigado a ficar. quero-te a ti. agora. amanhã posso não querer. e depois desejar-te como nunca. e até posso não te querer mais. na quarta linha desta escrita pensei que talvez te mostrasse amanhã. pois sinto nostalgia do tempo que o que sentia de ti era mais que saudade. ainda não encontrei lembrança melhor que a tua mas também és a pior memória que tenho. mas a nossa briga passou-me 30 minutos depois. foi mais que suficiente para a raiva passar. na décima primeira linha dei conta que não sou suficiente mulher para ti. na décima oitava linha já fazia planos para reparares em mim. e agora sei que não te enviarei mesmo quando terminar o turbilhão de sentimentos de ti. estou desejando que a tua raiva tenha passado a toda a velocidade quanto a minha pois estou cansada de criar utopias. jurei que te iria esquecer, mas nem meia hora durou. não sou boa a cumprir promessas a longo prazo. e que tal hoje trazeres contigo a metade que me quer e me bateres à porta com um sorriso na cara?



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