é tempo de mim

09:23:00

é tempo de ser eu. é tempo de me agarrar a mim e não aos outros. é deixar pequenas coisas me fazerem sorrir. é tempo de voltar a ser independente. é tempo de mim. é tempo de ser minha. é tempo de ser vaidosa, cuidar da pele dos cabelos e da alma. mas mais importante que tudo, é tempo de gostar com o cérebro e descansar o coração. é tempo de me assustar novamente com aranhas e não com sentimentos. já não é fácil alguém me tirar a paz. e arrancar-me um sorriso seguida do rosto cor de tinto é ainda menos fácil. por mais que pareça a coisa mais natural de sempre. e isso agrada-me. tornei-me de novo em mim e não na imagem feminista de qualquer outro macho que se ache alfa. é tempo de mim. é tempo de voltar a dançar. de voltar a sorrir. de voltar ao de cima. chega de profundezas escuras e abismos cada vez mais fundos. hoje não espero que me queiram ou fiquem. hoje espero que eu me queira. é tempo disso. hoje espero não ter pressa de me apaixonar. sou demasiado egoísta para dar de mim a outro alguém. e isso sei que é injusto. se por algum motivo me deitar e alguém ocupar a minha mente, levanto-me e vou ao espelho, porque não quererei ninguém mais do que me quero a mim. confesso que ser assim também cansa, é preciso mais força do que a força que faria par anão chorar por um amor terminado. porque já foi tempo do muito. já foi tempo de ser demais. e demais não sou eu. é. foi muito. foi tentar ser a filha, a neta, a irmã, a amiga e depois o amor ideal. não era fácil. as pessoas tinham medo de mim. quem falava comigo estava sempre à espera da palavra certa, da frase certa, que seja minimamente inteligente. as pessoas esperavam que gritasse quando muitas vezes me limitava a ficar calada porque considerava ser a melhor maneira de agir. esperavam ter a minha concordância mesmo quando no fundo sabiam que eu era do contra. e acho que esse tempo todo não era eu. e é tempo de mim. é tempo de querer as vezes que forem necessárias ser anónima, não ser olhada por todas as vezes que passo, quer por não agarrar bem no garfo, quer por dizer palavrões, quer por cuspir no chão ou ignorar. era muito. tentar ser aquilo que esperavam que eu fosse. e mandar tudo se foder é muito, muito mais sincero. é tempo disso. é tempo de mim. e que esse tempo nunca mais acabe. "eu fiz a minha escolha. tenho ciúmes de mim mesma, sabes? quero cuidar primeiro de mim, ver-me crescer, orgulhar-me das minhas dores, de antigos amores. e se no meio do caminho eu encontrar alguém que me respeite, e que não me tente mudar, posso até dividir-me. por enquanto, eu só quero ficar sozinha. comigo. sei lá, talvez tu não me entendas, mas só eu sei o tempo que levei a gostar de mim." e é tempo de mim. é tempo.



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